cartaz


cartaz da palestra....

c'est fini!




"Todo carnaval tem seu fim."


Após 35 postagens de textos, pérolas, lixos, pedaços . Encerro esse blog.

E já coloco o link para o novo: http://ossosepalavras.wordpress.com/

Ainda estou organizando ele, faltam links e outras gadgets.

Esse novo blog tem me deixado mais leve, não tenho o compromisso

de escrever algo útil, mas de somente escrever o que me der na telha, ligo o foda-se e escrevo.

Tanto que retirei os comentários, dessa vez o lema é: lê quem quer.

Sem qualquer tipo de obrigação.

Quem por ventura, dos antigos leitores desse blog, quiser
ser linkado, me manda o e-mail: mcr0ach@gmail.com, ok?

O espaço ficará mas não será atualizado.


Abraços!

Como pude ser feliz.

Há algum tempo, aproximadamente 6 anos atrás, conheci alguém. Uma pessoa diferente, sombria e pessimista, mas dentro de si, carregava tanto amor pela humanidade, que se tornara inflexível e crítico de nossa sorte. Sedento por corrigir erros de pedra.

Eu, então com 13 anos, trazia conflitos aos montes e quis desistir. Parecia-me tudo sem sentido. Tentava entender à luz da razão, por que as pessoas eram deste ou daquele jeito, e por que o preconceito que gerava conflitos resumia-se a mola mestra do mundo.

Conheci pouco de psicologia, entreguei-me a livros panfletários, auto-ajuda’s patéticos, os “How-to-do” versões americanas da auto-ajuda daqui, que, confesso, conseguiam me tirar do estado letárgico que por vezes dominava meus dias. Vejam, os livros, pra mim, não significam exercícios de raciocínio ou memória. Confesso lembrar poucas frases de livros, de prefácios, epílogos, etc. Não exercitei minha dialética, nem o compasso do pensamento lógico ao ler. Pouco importava como ainda pouco importa. Meu compromisso com os livros é de senti-los, deixar seus fluídos e signos atravessarem minha mente, corpo e respiração. Esquecer um pouco de mim, e mergulhar... Densamente, com paixão e dor, a alma a tremer. Pois naquelas linhas estão impressas a sangue, história, nome e sentimentos de outra pessoa, que talvez esteja mais solitário que eu.

Certa vez, escrevi no final do texto Escrita: “a verdadeira liberdade mora no alvorecer”, estritamente no sentido de que após a noite, os ventos, o sofrimento e agonia de quem vive. Após o frio e a solidão contidos na lua e nas estrelas perdidas no Universo, viria o Sol entrando pelas janelas. Embaixo, nas frestas da porta, atravessando o corredor e iluminando a cama. A me chamar para viver e morrer. O Sol a me queimar a pele, lembrando o que sou. O Sol se doando e amando a bilhões de anos. Graças a seu calor a vida nasce e tem a possibilidade de renascer. Mas como somos contra a vida, adoramos a lua, o hermetismo, conhecimentos obscuros. Sempre preferi queimar ao Sol do meio-dia. E quando pensava nestas idéias, e tantas outras durante a noite, vinha a luz e o ocaso da escuridão, o calor pela manhã e eu dizia “não é justo querer morrer”.

Então, conheci aquela pessoa, o amigo do início do texto. Lembro-me do primeiro capítulo de seu livro, chamado “Da morte”. O parco conhecimento que possuía sobre filosofia, resumia-se na leitura forçada de a “República”. Experiência resumida a uma palavra: traumática. Nunca havia conhecido alguém tão chato e racional, mas ao mesmo tempo, alegre e idealista. Logo o identifiquei como homem de fé. Baseado na lógica dialética cansativa poderia estar certo? Sim e não. Tinha pretensão ontológica, acreditando porém na perfeição dos homens e instituições, o que mostra-se, impossível.

Mas meu amigo - se é que posso chamá-lo assim – amargo, mostrou os erros das minhas frustrações, o quão infundadas elas eram. Aproximou-me da terra. Pude ver com maior clareza, a Vontade de Potência. A luta pela sobrevivência no meio atual, adquirindo valores universais, escancaradas àquela meia-luz. Tristemente percebi o jogo. Acabaram-se as emoções; o cordão fora cortado. O inconformismo sem fundamento transmutou-se no pleno olhar sobre “as relações humanas”. Uma visão de valor acima de qualquer conjectura iluminou minha mente. Entendi por que este amigo fora infeliz, e solitário entre as pessoas. Racionalizando o mundo a tal modelo aplicado a todos os entes e seres, não é possível ser feliz. É antes de qualquer coisa, passível de aceitar a infelicidade como condição.

Para não sucumbir, entreguei-me a poesia. O meu movimento é poético, cadenciado, só se pode realmente discutir ou aprender a chorar, na poesia. Agindo assim, me conformei? Não. Tenho sensibilidade para odiar e amar este mundo. E para crer que o melhor mesmo é “ser bom e ser feliz”. Mas quando não dá para agüentar, não vejo a bebida, as drogas, as crenças e qualquer atitude destrutiva como o meio para fugir desta porcaria. Sento, pego o copo d’água, caneta azul, folha A4 branca e lisa. Escrevo histórias que nem eu entendo completamente, já escrevi poesias, mas perdi a hora. Deixa correr o sangue para as folhas, e que estas, fiquem cheias de mim.

Obrigado Arthur Schopenhauer por me ensinar como ser feliz.

Aprenda você também a ser feliz!

Feliz 2008!








“Apenas um passo, mais um ou menos um, demorasse o tempo a passar ou parasse naquele instante, apenas a atitude de atravessar a rua. Não poderia ficar parado a vida inteira, pois nem sabia se tinha mais alguns segundos ou morreria logo depois de alcançar a próxima calçada. A morte o alcançaria, na hora presente, sua última agonia não viria a se tornar pensamento, de imediato iria ser pego, maltratado, a vida extirpada sem direito a outra chance ou mais algum segundo. Pensou na hipótese, sentiu calafrio, lembrou dos livros de meditação, yoga, taoísmo e veio na mente que o nirvana, o sofrível Presente o pegaria na morte. O tempo ia consumir sua alma, seus desejos, corpo e pensamentos, idiossincrasias tão valorizadas: o seu jeito, costume, peças de roupa, tênis preto, o modo como acendia o cigarro, as palavras às vezes estranhas que saiam de sua boca, o andar desleixado, desligado, indiferente, a calça jeans surrada, o verbo mais-que-perfeito, o substantivo próprio, o sujeito(?), todos alcançados: na morte. Que idéia imbecil, pensou logo em seguida, mas era verdade, o egozinho inflado, inchado de si mesmo, de tantas visões e teorias havia encarado a realidade, enfim, realidade. Que mundo iria escolher? Que verdade iria abraçar até envelhecer e perceber que é só mais um? Doeu-lhe o peito, doeram-lhe as mãos, a raiz do cabelo. A rua o esperava, alguns passos a mais, atravessava, apenas passos, apenas decisão, apenas a tal atitude – surre a palavra -, mas tudo doía, tanto desejo e medo. Tanta convicção e fraqueza, de onde surgiam? Ambigüidades, falta de coesão, coerência rasa, me tragam a maldita metafísica! Devo ser louco, pensou, mas o louco não sabe que o é, e existem tantas pessoas talentosas brincando de ser loucas, jogando palavras fora, olhando nos olhos de Minerva, sábia e irreal, achando engraçado dizer coisa com coisa, falar e falar, por falar, leviandade e idiotice. Frases decoradas, pouco raciocínio, monstros edificados sobre a fala, para depois ruírem distantes, no vazio dos pensamentos soltos. Não queria ser assim, não mesmo. Preferiria a morte consciente à demência infantil. Morrer do bulbo ao lobo frontal, sem enganos, pequeno e sóbrio. Homem comum: não aspira a santo ou dono da verdade, é inútil. Não castigava as palavras, não poderia ser poeta, não sente, só ouve, fraqueja, reproduz, nada de criações. Não pode! Não quer! Pensamentos assim o atormentavam, sem coragem para atravessar a rua, uma rua simples, cheia de carros, calçadas dos dois lados, nada demais ou extraordinário, estranhamente a rua fitava a cena, impassível. A dor ainda o afligia, qual o problema?, perguntava-se. Sentou, esperou, chorou, olhou ao redor, ninguém percebia a confusão, ninguém percebia aquela rua? Ninguém percebia o homem sentado? Não. Os comprimidos acabaram a duas semanas, esquecera de compra-los, não tinha mais crises diárias, não ouvia vozes a lhe ordenarem os atos e pensamentos. Estava livre dos remédios que lhe davam náuseas, tonturas e lentidão mental. De repente, veio a imagem da namorada, amava-a sinceramente, se dava ao luxo. Passava o dia a representar, a dizer coisas bonitas, versos inacabados, idéias estapafúrdias que pareciam complexas, dotadas de senso profundo, incompreensíveis, mas, afinal de que adianta ser simples? Ou melhor, alguém quer ser simples? Sorria. Os dois adoravam a sutileza do Ser, ou da Existência do Ser. Tanto faz, desde que o Ser fosse acompanhado do adjetivo. Ele sabia estar fingindo, fazendo os gostos dela, no fundo era um machista hipócrita, manipulador e insensível. A amava, mas não o suficiente para Ser. Ela gostava de histórias, de referências, trechos decorados e repetidos a exaustão, bom, se era isso o que queria pra manter o relacionamento, o teria. Gostoso é o faz de conta, enquanto sonhava, os dias passavam, preso as questões da realidade, múltiplas realidades, dimensões interconectadas, poderia seguir os pensamentos do caos, gerando cosmos em seu rigor. Filtrava o mundo e via o que queria ver. Lembrou de imediato do encontro marcado e a imobilidade aumentara. Não se movia, os músculos retesavam. Era apenas uma rua. O que estava acontecendo? Teceu explicações, mas nada lógico, nem convincente a nível emocional, atravessando a rua, acabavam-se os dilemas, as fantasias, atravessasse logo, não pensasse, pensou. Nada. Conseguia mexer pouco com os olhos fitando o horizonte, tentava pegar o cigarro, as mãos obedeciam, movimentos semelhantes a qualquer autômato. Não conseguira, desistiu de levantar, aceitou a situação, não havia mais o que fazer, os músculos não respondiam as ordens do cérebro. Doía-lhe o corpo inteiro, o movimento involuntário da respiração trazia ainda dor sufocante no peito. Entregava-se. Dizia “apenas isso”, “apenas aquilo”, o apenas tinha se apoderado dele. Matava-se sem o saber, suicídio passivo. Não podia atravessar “apenas a rua”, não atravessava sequer o pensamento.”
Sentiu alegria, imenso sorriso a marcar o rosto, estava na hora. O homem batia-lhe na cara.
Abriu os olhos, estava acordado a mais de meia hora, o corpo leve, respiração suave. Há tanto tempo não escrevia nada, mas finalmente pela manhã tivera uma boa idéia. Precisava de café forte. Caneta azul e muitas folhas.



O tempo, apenas corre, passa intocável.torna o mundo uma máquina, movida a segundos, horas e semanas. O incessante toque do relógio pra levar o caminho embora.

O tempo, transforma distâncias em direções, chaves em segredos, sua compreensão abrange os entes em-sí, e só sua passagem, o instante-passado é produto para nossa percepção.

O tempo, antes de dominar, medir e limitar, deixa-se livre, encoberto de vontades, onde a principal delas, resume-se ao inócuo desejo de atemporalidade, parada e abismo.

Que mal há nos ventos? Que mal pode existir no raciocínio binário? O mundo espaço-tempo sobrepuja a todas as coisas, nem a si mesmo escapa a mordacidade de sua força. Somos imensas vertigens. Somos tudo que não queremos ser e apesar da eterna lógica, manifestações do Saber: Não transcendemos; estamos preso ao físico e aparência. Cada salto – aparente -, está preso a irracionalidade do infinito. Quando o coração parar seus batimentos; terei compreendido. Sideratio.

(Roberto Chichirro)

Era um quase.. um onde.. o fim do início, o ponto de nada, o ponto de sempre, uma imagem indecente, o quase fluir do substantivo. Desencantei e cai quase-vivo pela experiência do vazio. Se sobrasse tempo, se o éter não fosse ar, se quebrasse o gelo e o mar entre tanta solidão e espaço, seria... tudo... um mero lugar ermo no deserto. Se desprendêssemos o infinito, completasse o acaso, as orbes celestes flechariam o meu corpo entre nossos monstros de massa. Sob a luz não enxergamos o caminho, na escuridão caminhamos sem olhar. à meia-luz, à meia-sombra, no teu claro e no meu escuro; nos pomos a sonhar.



ps: feito durante a oficina "imargens" do prof. moreira. ou seja, totalmente influenciado pela semana de Letras.

ps²: estou condenado a simplicidade.

Sorte.



“A sorte o acompanhava”, todos diziam. Sortudo desde pequeno. Nos jogos na infância, sempre ganhava. No futebol, era o perna-de-pau, mas trazia consigo a sorte para o time. Nos jogos de azar, tornara-se o favorito; nos jogos em dupla então? Era disputado! Todos o queriam. Queriam a sorte ao seu lado. O modo mais fácil de ganhar, como sempre! No entanto, tinha de haver um porém, sua sorte para o amor, era terrível. Metia-se nos relacionamentos mais errados, brigava, magoava-se, machucava-se. Chegou a dizer certa vez, que o ditado popular “Sorte no jogo, azar no amor”, seria uma praga. E das piores!

Depois de inúmeros relacionamentos, pensou em se matar. Tirar a própria vida. Afinal, do que adiantava viver sem amor? Chamaram-no de imprudente, rebelde e ingrato com a vida. Pois tinha a sorte do mundo, e ficava com essas “idéias” fúteis. Banais. Ignorando as palavras, os conselhos de seus amigos, resolveu acabar logo... Consigo. Passou uma corda sobre o galho da castanheira plantada em seu quintal. Fez a forca, subiu na cadeira, rezou um pouco, respirou profundamente três vezes; empurrou a cadeira. Desesperou-se de imediato; porém, o sabor da morte, o gosto da vitória, o prazer de livrar-se da carne, o fazia calmo, sereno além da conta para a situação que vivia. Preso. Mas, tinha de haver um porém, enquanto tentava relaxar, ouviu o barulho de algo estalando, abriu os olhos, e assim que viu o galho
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Partiu-se ao meio.Caído no chão, rapidamente o nó ficou frouxo e o sangue pôde circular novamente. “Que desgraça!!”, pensou. Fora contar aos amigos o ocorrido. Depois do susto inicial que todos tiveram, a palavra Sorte veio novamente à tona. Como a responsável por sua vida ainda estar intacta.

Entretanto, tinha de haver um porém, a partir daquele dia, aquele homem, havia descoberto que o seu azar, era viver.